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O peixe boi amazônico (Trichechus inunguis) é tema de workshop internacional nesta sexta-feira (22), sobre a conservação de sirênios (ordem à qual pertence o peixe boi) no Congresso Internacional de Conservação Aquática Making Marine Science Better.
O evento, que começou ontem (19) e vai até domingo (24), é realizado em Washington (EUA) numa promoção da Society for Conservation Biology.
No passado, o peixe boi amazônico foi vítima de caça comercial intensa que, associada a uma baixa taxa reprodutiva, levou a espécie a ser considerada ameaçada de extinção no País.
Além da caça ilegal, outra ameaça à espécie se apresenta na forma de malhadeiras (redes de pesca). As grandes, usadas para capturar peixes como o pirarucu (Arapaima gigas), aprisionam os filhotes de peixes bois que, ao contrário dos adultos, não conseguem escapar da malha.
Os caçadores podem se aproveitar dessa situação, uma vez que a mãe não se afasta do filhote e, assim, capturam os dois. A caça de um animal dessa espécie é muito difícil e pode levar dias, já que o peixe boi é arisco e se esconde ao ouvir barulho.
O Grupo de Pesquisa em Mamíferos Aquáticos atua há 16 anos nas Reservas Mamirauá e Amanã. Uma das conclusões dos estudos, a partir de pesquisas usando radiotelemetria, é a migração de peixes bois de Mamirauá - uma região inteiramente composta por várzea (floresta alagada) - para Amanã, área que abrange várzea e terra firme.
Há pelo menos um padrão de deslocamento anual, quando os peixes bois deixam os lagos de várzea de Mamirauá na época em que as águas começam a baixar e refugiam-se durante o período de seca nas águas pretas e profundas do lago de terra firme do Amanã.
Com a chegada da enchente, os peixes bois realizam o movimento de retorno aos lagos de origem. Esse ciclo salienta a importância da manutenção de grandes áreas para preservação da espécie, assim como a existência de uma variedade de ambientes, incluindo canais para deslocamento livres de ameaças.
Desde julho de 2008, o Instituto Mamirauá mantém um centro conservacionista de reabilitação para filhotes de peixes-boi na Reserva Amanã. É o primeiro do Brasil criado dentro de uma unidade de conservação e de base comunitária, uma vez que moradores da Reserva são envolvidos nas atividades de conservação.
Atualmente, o centro guarda dois filhotes em recuperação. A previsão é devolvê-los ao seu ambiente natural em setembro ou outubro deste ano.
O peixe boi amazônico é parecido com o marinho (Trichechus manatus). Ambos são parentes o elefante, mas o amazônico é menor - pode chegar a três metros -, não tem unhas e apresenta uma mancha branca no peito, cada uma diferente da do outro, como uma impressão digital.
Já o marinho pode alcançar quatro metros e tem unhas. Esse último está bem mais ameaçado do que o amazônico e estima-se que existam 500 indivíduos vivendo ao longo da costa brasileira. Não é possível estimar a quantidade de peixes bois amazônicos, mas é possível afirmar que sejam em número maior, quando comparados aos seus parentes do mar.
Fonte: Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá