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Mais de 300 pesquisadores, estudantes e especialistas reúnem-se em Corumbá, MS, para apresentar e debater pesquisas com uso de geotecnologias voltadas a estudos no Pantanal. O 2º Geopantanal (Simpósio de Geotecnologias no Pantanal) que começou no dia 7 e segue até 11 de novembro de 2009, apresentará trabalhos desenvolvidos em áreas úmidas semelhantes ao Pantanal e técnicas metodológicas que possam ser aplicadas ao bioma.
O Pantanal é um ecossistema diferenciado que comporta, há mais de 270 anos, uma atividade de pecuária extensiva. Entretanto, estudos de organizações não-governamentais, com apoio técnico da Embrapa Pantanal (Corumbá-MS), apontam que 87% da vegetação nativa da planície pantaneira permanece intacta. São 140 mil quilômetros quadrados no Brasil nos estados de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul, totalizando 210 mil quando se inclui a região do entorno situada na Bolívia e no Paraguai.
"Esses estudos mostram que a região vem sendo preservada e que as atividades do agronegócio, quando bem planejadas e executadas de forma sustentada, geram menos impacto, contribuindo para o desenvolvimento da população", disse o pesquisador José Aníbal Comastri Filho, chefe-geral da Embrapa Pantanal, na solenidade de abertura do evento, na noite do domingo (8).
O desenvolvimento e a aplicação de tecnologia é fundamental para manter a região preservada, com menor degradação possível, garantindo a sobrevivência das comunidades locais. Maior área úmida continental do planeta, o Pantanal é um dos mais valiosos patrimônios naturais do País, destacando-se pela riqueza de sua fauna que reúne 263 espécies de peixes, 122 de mamíferos, 93 de répteis, 1.132 de borboletas e 656 espécies de aves.
A soma de esforços de várias instituições públicas de pesquisa está possibilitando esse encontro que poderá fornecer respostas para algumas das diversas perguntas que diariamente são veiculadas na mídia, acredita o professor Wilson Ferreira de Melo, diretor da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - campus do Pantanal (UFMS/CPAN).
Apesar de haver uma legislação ambiental para conservação da fauna e da flora, são vistas notícias sobre assoreamento na Bacia do Rio Taquari, extinção de peixes, desmatamento, contaminação dos recursos hídricos por pesticidas, entre outros. "Por que o Pantanal vem sofrendo tantas ameaças? Falta maior conhecimento sobre ciência e tecnologia ou é necessário mais divulgação científica para a população?", pergunta o professor.
O uso mais intensivo das imagens de satélite e os algoritmos cada vez mais aperfeiçoados estão permitindo realizar diagnósticos ambientais eficientes que servem de apoio a políticas públicas, de acordo com o pesquisador Kleber Xavier Sampaio de Souza, chefe-geral da Embrapa Informática Agropecuária (Campinas, SP).
Há 15 anos, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) vem apresentando resultados sobre o Pantanal em congressos, focados no uso das geotecnologias como ferramentas que podem apresentar soluções para os problemas que atingem a riqueza desse bioma. O pesquisador da instituição Bernardo Rudorff, palestrante da noite, demonstrou o Sistema dos Sistemas de Observação da Terra (GOEES, na sigla em inglês).
O objetivo é conectar os atuais e os novos sistemas, de forma integrada e padronizada, para análises precisas e confiáveis que possam permitir melhor compreensão em diferentes áreas consideradas criticas, incluindo energia, água, tempo, desastres, agricultura, biodiversidade, ecossistemas e saúde.
O 2° GeoPantanal é organizado pela Embrapa Informática Agropecuária (Campinas, SP) e Embrapa Pantanal (Corumbá, MS), unidades da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Embrapa, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento; Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe); e Universidade Federal de Mato Grosso do Sul - campus do Pantanal (UFMS/CPAN).
Fonte: Embrapa Pantanal